Gabi Pessanha ja nao disputa mais no mesmo patamar das outras competidoras do jiu-jitsu feminino. No Mundial IBJJF 2026, realizado entre 28 e 31 de maio em Long Beach, na California, ela superou Tayane Porfirio na final do super-pesado e bateu a mesma rival de novo na decisao do absoluto, fechando a competicao com o 12 titulo mundial da carreira.

Ouro duplo pela sexta vez seguida no Mundial
O feito tem um detalhe que poucos atletas, homens ou mulheres, conseguem sustentar por tanto tempo: foi o sexto ano consecutivo em que Gabi fecha o Mundial com ouro duplo, vencendo a propria categoria de peso e o absoluto na mesma edicao. Na semifinal do absoluto, ela finalizou Maria Ruffatto com uma chave de tornozelo. Na final, encontrou Porfirio outra vez e fechou por pontos, 2 a 0.
Repetir esse resultado ano apos ano exige algo alem de tecnica. Exige planejamento de temporada, escolha de rivais e uma cabeca fria em finais que já deixaram de ser novidade.
Um numero que so tem um nome a frente
Com o resultado de Long Beach, Gabi Pessanha chega a 12 titulos mundiais e ultrapassa nomes historicos como Roger Gracie, Bruno Malfacine e Bia Mesquita, todos parados em 10 conquistas no absoluto e nas categorias de peso somadas. Considerando homens e mulheres juntos, ela fica atras apenas de Marcus Buchecha Almeida, dono de 13 titulos e ainda o recordista da modalidade.
A distancia agora é de apenas uma conquista. E é dificil, olhando o retrospecto recente dela, apostar contra a possibilidade de ver esse numero igualado em breve.
O peso da consistencia
Jiu-jitsu de alto nivel tem um jeito cruel de expor quem vive de um bom dia isolado. Nao é o caso de Gabi. O que chama atencao na trajetoria dela nao é so o talento na hora da luta, é a capacidade de chegar afiada, Mundial apos Mundial, num esporte onde qualquer deslize custa caro e uma unica raspagem mal defendida pode acabar com uma campanha inteira.
Isso muda a forma como o proprio esporte enxerga uma atleta. Gabi deixou de ser tratada como favorita pontual em uma categoria e passou a ser discutida ao lado dos maiores nomes da historia do jiu-jitsu, homens inclusive, algo raro para o jiu-jitsu feminino num esporte que por decadas colocou as mulheres em segundo plano nas transmissoes e na premiacao.
O que vem depois do 12
Falta uma conquista para igualar Buchecha. O numero está ai, visivel, e dificilmente vai deixar de ser mencionado em toda entrevista dela dai para frente. Resta saber se o 13 título vem no proximo Mundial ou se demora mais um pouco. De um jeito ou de outro, Gabi Pessanha já garantiu o lugar dela ao lado dos nomes que definem o que significa dominar essa modalidade.





