Existe uma linha que separa preparação de trapaça, e a USADA, agência antidopagem dos Estados Unidos, acabou de marcar onde ela fica dentro do Jiu-Jitsu competitivo. Roosevelt De Sousa recebeu uma suspensão de três anos, com início em 13 de janeiro de 2026, depois de testar positivo para Meldonium no Mundial IBJJF de 2025.

O que é o Meldonium e por que ele preocupa tanto
Meldonium é um modulador hormonal e metabólico, criado originalmente como medicamento cardíaco em países do leste europeu. Fora do consultório médico, ele ficou conhecido por outro motivo: melhora a eficiência do corpo no uso de oxigênio, o que se traduz em mais resistência e recuperação mais rápida entre esforços. A Agência Mundial Antidoping baniu a substância da lista de permitidos justamente por esse efeito, que interessa a qualquer esporte de alta demanda física, e o Jiu-Jitsu se encaixa perfeitamente nessa categoria.
Uma luta de Mundial pode significar cinco, seis, sete confrontos no mesmo dia, com poucos minutos de descanso entre eles. Qualquer vantagem na reposição de energia física pesa, e é exatamente aí que o Meldonium se torna tentador para quem decide arriscar.
Uma sanção que atinge em cheio a carreira competitiva
Três anos de inelegibilidade não é uma sanção simbólica. Para um atleta de alto nível, isso representa ciclos inteiros de competição perdidos: Mundiais, Pan-Americanos, Brasileiros, tudo fica fora de alcance durante o período. Patrocínios dependem de presença em tatame, e presença em tatame é justamente o que a suspensão tira. Na prática, a sanção da USADA não pune só o resultado obtido de forma irregular, ela interrompe uma carreira inteira no meio do caminho.
O Jiu-Jitsu está mais vigiado do que muita gente imagina
Até poucos anos atrás, controle antidoping soava como coisa de atletismo olímpico ou ciclismo, não de Jiu-Jitsu. O esporte cresceu, o dinheiro em jogo cresceu junto, e os exames chegaram atrás. Testar atletas em um Mundial IBJJF mostra que o Jiu-Jitsu já é tratado como esporte de alto rendimento também nesse aspecto, não só nos tatames.
Isso muda o cálculo de risco para quem pensa em usar qualquer substância proibida como atalho. Não é mais uma zona cinzenta sem fiscalização real.
O precedente que fica para a categoria
Casos como o de Roosevelt De Sousa funcionam como um recado direto para toda a base competitiva: o exame existe, ele é aplicado em eventos de peso, e a punição é severa o suficiente para doer de verdade. Para quem constrói carreira competindo limpo, é também uma forma de justiça, ainda que tardia, contra quem tentou vencer por um caminho que não é o do tatame.
A pergunta que fica agora é se esse caso vai ser um ponto fora da curva ou o primeiro de uma série, à medida que o Jiu-Jitsu segue crescendo e os testes se tornam rotina em mais competições pelo mundo.





